COMO SE COMPORTAR ENQUANTO REFÉM

Por Wanderley Mascarenhas de Souza

Apresentação:

Por Percival de Souza
Jornalista e Escritor

 A MONTAGEM DO TEATRO DE OPERAÇÕES

     Múcio Sévola - centurião de Roma - colocou sua mão num brazeiro deixando que se consumisse para castigá-la por ter errado o golpe com sua espada. Os atos de bravura dos legionários romanos saltam do passado para o nosso presente, quando temos que lembrar as características de um militar de escolta.
     Fui lembrar esse episódio de Múcio Sévola, passado há muitas centúrias, porque, hoje, estamos diante de um componente da Polícia Militar de São Paulo, ex-comandante do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), que apresenta mais um livro, fruto de vasta experiência profissional, cursos de especialização e um conhecimento prático de situações - ou gerenciamento de crises.
     Sem medo de errar, direi que o Capitão PM Wanderley Mascarenhas de Souza lembra a imagem de um novo legionário romano, incorporado ao presente, que não errou nenhum golpe; pelo contrário, acertou todas as ações durante o seu período de comando. Mas, se errado tivesse, teria a mesma coragem do centurião romano, porque ambos - um no passado remoto, outro neste presente - possuem as mesmas características do verdadeiro militar.
     O livro, que tenho a honra de prefaciar, mostra que as corporações, como os indivíduos, têm o seu momento de verdade. Este trabalho representa exatamente um desses momentos, pois mostra o que é necessário para saber e como se comportar em situações de crises, alertando o refém em potencial e preparando a Polícia para o culto da moral e do civismo; da fé, do exemplo e do sacrifício, da honra e do dever. O Capitão Mascarenhas conhece, e muito bem, a realidade da vida policial militar. Não apenas pelo conhecimento teórico, mas completado pela experiência pessoal, pelo espírito do sacrifício e pelo anseio de bem servir.
     Conheci-o Comandante. É um Comandante, quando possui ideais elevados e se empenha com realizações construtivas, pensa antes de mais nada no comandado, a célula viva do seu comando, e que está a ele indissoluvelmente unido. E só conquista a sua confiança porque com ele se identifica. É assim que se comanda o GATE.
     O Comando é antes de tudo um pensamento concreto, criado pela reta razão e sustentado por um ato de fé. Os que não acreditam na sua doutrina não convencem os seus comandados. É assim que se faz doutrina no GATE.
     Essas considerações parecem-me necessárias porque este livro trata de um tema atualíssimo, com fatos que ensejam treinamento e comparações, e que devem ser tratados de maneira estritamente profissional. Nesse sentido, creio que o livro do capitão Mascarenhas se transforma, desde já, num vade-mecum que deve servir para os grupos especiais que, qualquer que sejam os seus nomes e siglas de identificação, têm uma missão a cumprir que exige capacidade, precisão e consciência dos riscos.
     O que não se deve fazer está registrado aqui.
     O que se deve fazer está explicado, didática e pedagogicamente.
     Preservando vidas e aplicando a lei e tendo como palco o teatro de operações, o capitão Mascarenhas alerta sobre a necessidade de se definir responsabilidades para evitar problemas claramente demonstrados. Parâmetros éticos, riscos, possibilidade de empregar força letal são minuciosamente apreciados. Casos que se lamenta também são lembrados, para extrair deles preciosas lições excludentes de vaidade, empirismo e amadorismo.
     O FBI é citado, no presente trabalho. Ele nasceu com o lendário Edgard Hoover, por meio século diretor do Federal Bureau of Investigation, passando por oito presidentes americanos e dando ao órgão a fama de polícia mais eficiente e respeitada do mundo. A Academia do FBI fica em Quântico, Virgínia, onde são treinados 500 novos agentes a cada ano, 1.000 da Academia Nacional e 200 agentes do DEA, o Dru Enforcement Administration.
     A SWAT, da qual encontraremos referência nesta monografia, foi criada pelo ex-chefe de Polícia de Los Angeles, Daryl Gates. Ele se perguntou, em 1.972, após os atos terroristas de Munique:
     - Estão as nossas Polícias preparadas para isso?
     Podemos repetir a pergunta em situações diferentes na virada do século.
     Na verdade, SWAT é um conceito de Polícia baseado na premissa de que um seleto grupo, altamente motivado e bem condicionado, formado por policiais voluntários, especialmente equipados e treinados pode eficazmente reduzir o risco associado a uma situação de emergência. Qualquer semelhança não é uma coincidência.
     Aliás, o FBI possui o HRT (Hostage Recue Team), considerado nada mais, nada menos, do que a SWAT das SWATs, que se divide em três grupos: um, que fica em stand by (preparado para agir); o segundo em descanso e o terceiro treinando. É bom saber e compreender os padrões adotados por uma Polícia de primeiro mundo para aproveitar melhor a leitura do livro do Capitão Mascarenhas e aprender com ele. Também é oportuno registrar que a Polícia norte-americana inspirou-se no modelo inglês de Robert Peel, considerado o pai da polícia moderna (comunitária, inclusive), começando a formar-se logo depois da independência das 13 colônias da Inglaterra.
     Inspirado, portanto, nessa fonte da melhor qualidade, o Capitão Mascarenhas faz as necessárias adequações para a nossa realidade, onde se vivem situações em que se exige, cada vez mais, não só saber o que fazer, mas como fazer. O   livro aponta os palpiteiros que devem ser evitados, os problemas da transformação do teatro de operações em palcos de exibicionismo, chegando também a definir, com impecável clareza, os efeitos da chamada Síndrome de Estocolmo, que pode afetar não só vítimas e reféns, como corações e mentes.
     A literatura policial precisava deste trabalho. A lacuna agora está preenchida. Sendo as ocorrências com reféns uma realidade, resta aproveitar o know-how acumulado, aperfeiçoando-o e corrigindo alguns erros traumatizantes em operações desse tipo e que aqui estão consignados, ad perpetuam in memoriam.
     Quem não perguntar, não quer saber, como ensinou o padre Vieira num dos seus magistrais sermões. Tática: quem não quer saber, quer errar. Este trabalho possui, entre as suas virtudes, uma que é fundamental: ajudar os grupos especiais da Polícia Militar a acertar sempre.

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Sinopse:

     Este livro discute um tema importante, porque é atualíssimo na nossa dinâmica social. E, sendo as ocorrências com reféns uma realidade hoje corriqueira, o presente livro vem suprir uma necessidade que não pode ser ignorada. Trata-se de adquirir os instrumentos que permitem enfrentar e administrar o evento de maneira segura.
     O objetivo principal é indicar ao leitor o comportamento adequado às suas próprias atitudes e às da Polícia que administra o evento crítico. De outro lado, objetiva servir aos grupos especiais cuja missão exige capacidade, precisão e consciência dos riscos.
     Conhecedor profundo da realidade da vida Policial Militar, não apenas teórico mas sobretudo pela experiência pessoal, o Capitão Mascarenhas aborda o tema de maneira estritamente profissional e objetiva. Resta aproveitar o valioso conhecimento colocado aqui à disposição, principalmente dispor dele para aperfeiçoar e corrigir possíveis erros em operações desse tipo.

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